Será que o próximo minuto está garantido?

Muitas vezes entro em divagações sobre o tempo... O que faço... O que gostava de fazer... O tempo que foge por entre os dedos...
Numa passagem pelo Facebook  li um texto que me pôs a pensar...
Corremos tanto para quê?
Ai ai, tempo...

"Mariana não sabe que morrerá esta tarde. Para já, acordou toda stressada, stressando o marido e a filha de 5 anos que nem sabia o que era o stress. São sete da manhã. É a última vez que Mariana toma o pequeno-almoço; não voltará a fazê-lo daqui à eternidade, mas toma-o a correr porque já está atrasada. Mariana está atrasada para a morte. Corre para morrer mais depressa, ao fim da tarde. É preciso deixar a criança na creche, para morrer. É preciso deixar o jantar feito, para morrer. É preciso telefonar à D. Lurdes para lhe dizer que engome as camisas do Zé, antes de morrer. Chegada ao trabalho, é preciso fazer todo o serviço e não deixar nada por fazer, antes de morrer. Mariana almoça e não sabe que o faz pela última vez. Se soubesse que ia morrer nesta tarde, talvez voltasse à creche para se despedir da filha. Talvez desse um abraço apertado ao Zé. Talvez ligasse à mãe. 17 horas. Faltam 15 minutos para Mariana morrer, embora ela não o saiba. Pica o ponto, sai a correr, torce o pé com o salto alto na calçada. Recompõe-se, faz-se à estrada para ir buscar a miúda. Não sabe como foi esmagada naquela marcha-atrás. Não viu o camião que descia a rua, a grande velocidade. O camionista, em choque, também não a viu sair de estacionamento. Mariana nunca mais voltará a estar viva. A morte é uma maçada. Havia tanto que fazer. E agora, o que será o jantar?"
Maria Saraiva de Menezes
#historianumagarrafa


Comentários

  1. Texto muito forte mesmo...
    Temos que viver como se não houvesse amanhã...mas sem pressas.

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